My Golden Word

Todos estão sussurrando sobre mim…
O que eles estão dizendo?
Você acha que eu fiz algo errado de novo?
Bom, eu te juro, não fui eu.

Por que todos pensam que sou cega?
Posso ver perfeitamente bem!
A verdade é que eu ignoro as coisas ruins.
Acho que é meio tarde pra esclarecer agora…

Aquele tempo em que todo mundo escrevia

Nina sz

#afilhada #BFF #Luvya

Nina sz

#afilhada #BFF #Luvya

Aquela vontadezinha

de te apagar de novo, MGW.

nisiedrawsstuff:

English Costume of the Nineteenth Century

by John Laver and illustrated by Iris Brooke

A Dama do Jardim Demoníaco

Desde quando a mão do mal pode tocar uma criança pequena?
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Durante toda a minha vida eu pensei que as crianças estavam imunes a influência do “inferior”.
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Durante toda a minha vida eu pensei que o que eu tinha era um dom.
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E eu estive bem vendo aquilo que ninguém mais via, até que eles apareceram.
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Pode parecer cômico, mas minha vida começou a ruir quando a campainha tocou, em uma tarde de verão.
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-Você tem um minuto para a palavra de Deus? – E eu imagino que você já esteja ciente do que, ou melhor, de quem se tratava.
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A genitora de minha forma humana abriu as portas da casa, e permitiu que aquele gentil casal entrasse.
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Eu observei por um instante, e sentei na sala para entender o que eles diziam. Apesar da descrença em religiões, sempre tive interesse sobre isso.
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Aquilo levaria, iminentemente, à minha ruína.
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No entanto, eu nunca pude participar novamente daqueles encontros.
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Perguntas que eu fiz não foram respondidas. No entanto as perguntas da genitora de minha forma humana todas foram.
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Em dado momento, após vários encontros com o gentil casal e, sobretudo, com a gentil mulher, minha mãe – perdão. A mãe de minha forma humana tomou a liberdade de contar à gentil mulher sobre meu “Dom”.
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Num final de semana, então, eles bateram a nossa porta.
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Os finais de semana eram os únicos momentos em que minha forma humana permanecia em seu lar. Ela trabalhava o dia todo e estudava de noite. Sua rotina era ensandecedora.
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Sua mãe abriu a porta e cumprimentou o casal como velhos amigos. Levou-os à Sala de Estar e acomodou-os. Minha forma humana estivera no computador, que fica em uma sala próxima à Sala de Estar. Sua mãe chamou-a.
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Ela era uma boa garota. Levantou-se e foi. Cumprimentou o casal e abancou-se junto para presenciar o encontro.
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-Sua mãe nos disse que você é capaz de enxergar coisas. – A moça lançou um olhar irritado à mãe. Aquele assunto era um tabu para ela. Não queria que fosse contado para estranhos, principalmente para pessoas que provavelmente seriam céticas quanto ao seu Dom. Ela sabia o que via.
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Eu sabia o que via.
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No entanto não foi ceticismo o que a minha forma humana recebeu. Não. A resposta que ela recebeu foi aquilo que a transformou no que sou hoje.
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-Era “normal”, a Bíblia nos conta, que as pessoas vissem anjos, enquanto a obra de Deus estava sendo construída. No entanto, a obra de Deus já se encontra finalizada.
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A obra de Deus tem mais de 2.000 anos. Eu sinceramente acho que ela não pode ser aplicada de forma tão literal quanto insistia aquele casal, por já estar no MÍNIMO obsoleta (uma máquina com 2.000 anos com certeza não operaria para a sociedade atual, não é?). Não que isso seja relevante pra mim atualmente, sendo o que sou, foi só uma importante ressalva que minha forma humana pensou naquele instante.
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O casal, no entanto, continuou:
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-Muitos pensam que a obra de Deus é obsoleta – A moça alteou uma sobrancelha. A mulher tinha capacidade de ler mentes ou algo do gênero?! - No entanto, eles estão errados.
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Foi a primeira alfinetada que recebi. Digo, que minha forma humana recebeu.
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Entenda. Por seus dons, minha forma humana sempre foi uma grande estudiosa da bíblia e de suas doutrinas. As histórias lhe fascinavam e, apesar de ela não crer em religiões (ou em não mais que alguns dogmas de cada uma das religiões), minha forma humana acreditava muito em Deus.
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Ela se sentia uma filha muito querida Dele.
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Como eu queria que ela tivesse sabido de tudo…
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-A obra de Deus é perfeita em seu conteúdo, mas as pessoas não sabem interpretá-la. Então precisam de ajuda para entender as linhas da Bíblia, que traz a palavra do Senhor em seu conteúdo.
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A mãe da moça concordava enfaticamente. Com os lábios crispados, a moça concordava também, com meneios.
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-E a obra de Deus já se encontra completa, e não admite mais alterações. Então, aquilo que atualmente pode estar vagando ainda não está agindo em nome de Deus. Aliás, é o que se encontra explicado em Apocalipse 22:18. Você pode ler pra nós, por favor? – Os olhos da gentil mulher estavam cravados em minha forma humana. A moça estendeu a mão para a Bíblia, e sua mãe lhe entregou como um bebê pequeno. – Bem no final, a última folha…
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-Deixa que eu acho pra ti! – Disse a mãe entusiasticamente, folheando com alegria as folhas finíssimas grafadas com letras pequenas. – Aqui. Olhe. – Novamente a Bíblia me foi passada.
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Ou melhor. Foi passada a minha forma humana.
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-Que letras pequenas… – A moça reclamou, aproximando o livro dos olhos. Seu problema de visão era grave, e seus óculos ainda não haviam chegado. – “A quem está escutando as palavras da profecia deste livro, eu declaro: “Se alguém acrescentar qualquer coisa a este livro, Deus vai acrescentar a essa pessoas as pragas que aqui estão descritas. E se alguém tirar alguma coisa do livro desta profecia, Deus vai retirar a sua parte na árvore da Vida e na Cidade Santa, que estão descritas neste livro”.
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-O que você entendeu disso? – A gentil mulher perguntou.
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Aquela foi a segunda alfinetada que eu recebi. Essa realmente foi para mim, como a Dama que sou.
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-Que… – A moça hesitou. – Não existe mais nada que venha para acrescentar às Palavras de Deus? – A gentil mulher sorriu.
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-Isso.
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Logo, aquilo que minha forma humana via não era de Deus?
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Tudo o que ela via eram seres do escuro?
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Aquilo que ela via desde pequena, e que ninguém mais podia ver, tudo pertencia a escuridão?
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Hoje em dia eu sei que não é bem assim. Mas aquilo impressionou minha jovem humana sobremaneira.
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Principalmente porque sua mãe concordou.
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-Então, o que lhe sobra a fazer é rezar. – Agora fora a vez de o gentil homem finalmente se manifestar. – Deus quer ouvir nossos pedidos. Deus quer nos ajudar, e você pode conversar diretamente com ele. – Minha jovem humana só fazia acenar. Havia um bolo em sua garganta.
Depois de tal apresentação, o gentil casal partiu. Sua mãe foi lavar algumas louças restantes na pia, e a jovem moça se apoiou na bancada.
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-Meu dom não é do Diabo! – Foi a tempestiva declaração feita por ela. Sua mãe lhe ergueu os olhos.
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-Eles não disseram isso. Mas, considerando quanto ver aquilo que você vê lhe perturba…
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-Nem sempre me perturba! A Menina não me perturbou. E quanto eu consigo ajudar, consigo encaminhar aqueles que precisam da minha ajuda, eu me sinto muito bem!
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“A Menina”. A Menina foi um episódio incrível.
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Houvera uma época em que minha jovem humana andava cansada de seu Dom. Andava fatigada do trabalho e da faculdade, e esgotada pelas pessoas que precisavam de sua ajuda.
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Bem. Talvez “pessoas” não seja o termo ideal. Mudemos, então: esgotada por causa daqueles que precisavam de sua ajuda.
Certa noite, depois de chegar tarde da faculdade, ela adentrou o corredor que levaria ao seu quarto, e parada na porta da sala do computador, havia uma garotinha.
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Minha forma humana nunca conseguiu se comunicar com aqueles que via. No entanto, tinha uma grande sensibilidade para energias.
A energia daquela garotinha era pura como a moça nunca vira.
A garotinha riu para a minha forma humana, e se escondeu atrás da porta. Minha forma humana riu, e seguiu seu caminho. Dormiu como não fazia há dias.
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E A Menina foi sua companhia por duas ou três semanas à fio. Tinha uma interação incrível com seu guardião, meu guardião, aquele que nunca me abandonou.
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Era como uma irmã mais nova de meu amado Kyan. Falarei dele em seguida.
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No entanto, depois de um tempo, quando minha jovem humana se recuperou, A Menina desapareceu. E minha jovem humana se convenceu de que aquela garotinha viera lhe ajudar, fora aquela enviada para lhe auxiliar com aquilo que não estava dando conta sozinha.
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Sua paz interior foi enorme pelos meses que se seguiram.
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-Eu não acredito que o Diabo seja capaz de tocar uma criança para dar um dom assim, mãe! – Seu argumento era válido, e a mulher titubeou.
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-Você vê isso desde pequena… – Não era uma pergunta, era mais uma constatação. Ainda assim, a moça anuiu.
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-Isso não existe. Provavelmente tu vias isso quando estavas cansada. – Foi a vez do pai intervir.
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Não que a moça esperasse algo diferente dele. Seu pai nunca tivera nenhum tipo de preparo espiritual para encarar a própria vida, quem dirá a mediunidade da filha. Até então - 20 anos, quem diria! – o Dom da jovem nunca lhe tinha sido comunicado.
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-Meu Dom não é do diabo! – A jovem repetiu e, finalmente, foi a vez de seu irmão mais novo intervir.
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-Essa Igreja aí é do Diabo, isso sim. Só tem servido pra gente brigar. – E, com isso, levantou-se e saiu. Minha jovem humana fez a mesma coisa, com um sentimento de gratidão inenarrável para com o irmão mais jovem.
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Esse sentimento de gratidão é um dos sabores mais doces que eu sinto até hoje.
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A moça se sentou novamente em frente ao computador, e logo seu irmão veio ter com ela, em sussurros:
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-O que houve com eles? – Parecia assustado. A jovem sorriu, apesar de toda a mágoa.
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-Ignore-os. Eles estão ficando velhos, e precisam de algo em que se apegar na velhice. – Riu. E seu irmão riu com ela.
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Mas aquele sentimento de que havia algo errado não foi embora.
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Aquilo que um médium vê depende também de sua energia.
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Quanto mais “alta” estiver sua energia, mais fácil será para o médium encaminhar aqueles que precisam de sua ajuda.
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No entanto, quanto mais baixa estiver sua energia, mais difícil será ajudar, mais lhe seguirão aqueles que não estão aqui para o bem, e mais difícil será para o médium entrar em contato com seus intermediadores.
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Seus guardiões.
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Seu Anjo da Guarda.
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Minha jovem forma humana não queria acreditar que seu dom, o dom que tinha desde tenra idade, não era uma benção divina.
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Mas as palavras do jovem casal lhe perturbaram tanto, que nem mesmo ela, em sua ferrenha convicção de ser uma filha muito amada por Deus, conseguiu se manter inabalável.
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Foi aí que eu comecei a surgir.
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Com as palavras do casal na cabeça, a jovem humana que via o que os outros não veem viveu por um tempo que pareceu interminável.
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-Eu não sou do Diabo.
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-A mão do mal não agiu em mim.
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Como poderia a mão do mal agir em uma criança pequena?
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Poderia?
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A dúvida é o pior veneno do coração humano.
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A energia da jovem humana caiu em um repente. E, como eu disse antes, quando a energia de um médium fica baixa, ele atrai aquilo que não é tão bom, aquilo que não quer ajuda.
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Aquilo que, real e aparentemente, a Mão do Mal colocou ali para infernizar a vida de gente como ela.
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Não tardou muito para que O Mafioso fosse assistir seu sono. Para que O Assassino assistisse seus banhos. Para que O Acidentado invadisse seus sonhos e seus olhos com sua aparência grotesca.
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Sabe aquela sensação de que você está sendo observado?
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Experimente isso durante a noite, por todas as noites.
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Minha forma humana tinha medo do escuro. Isso parece ser normal dentre médiuns.
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Mas a fraca luminescência da luz do corredor deixa o ambiente ainda mais propício ao seu “olho oculto”.
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Ela acordou de noite virada para a parede, e se virou, para pegar no sono novamente.
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Havia um homem parado no meio de seu quarto. Muito gordo, de braços cruzados. Usava um chapéu estranho – nunca entendi nada de chapéus, camisa e colete.
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Era, e não riam de mim quando digo, o típico mafioso que se vê em filmes de época.
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Mas ele não fez nada. Só ficou ali parado, olhando-a como se não tivesse percebido que ela lhe tinha percebido.
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Minha jovem humana fez uma prece silenciosa ao seu Guardião. E com a paz de quem se sente protegida, tornou a adormecer.
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Apenas para, pouco tempo depois – tenho problemas em contar o tempo humano -, ser acompanhada em seus banhos por uma criatura que, da mesma forma que O Mafioso, invadia o banheiro e lhe ficava encarando, com uma expressão de interesse.
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Irritada, em dado momento minha forma humana xingou aquele homem pervertido, mandando-o embora.
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Ele pareceu se surpreender com o fato de que ela lhe via, e parou de segui-la aos banhos. Pediu-lhe, por intermédio de seu Guardião, meu amado Kyan, ajuda.
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Foi o primeiro que a minha jovem humana não conseguiu encaminhar.
Por fim, O Acidentado apareceu.
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Ela lhe nomeou assim por ser a única explicação que conseguiu encontrar para sua aparência. As mãos Do Acidentado eram tortas para dentro, como se mal formadas ou quebradas em um ângulo estranho. Sua pele era negra, e os cabelos raspados. Andava de uma forma estranha, torta, corcunda, como dobrado em si mesmo.
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Mas o pior de tudo era sua face.
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Seu maxilar fora arrancado para um lado, deixando-o com a boca aberta e uma aparência medonha e monstruosa.
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Ele lhe seguiu quando percebeu que ela o viu. E tudo era sempre assim.
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A primeira reação dela foi chorar quando aquela criatura lhe apareceu. Ela chorou baixinho.
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Depois, pediu que lhe ajudassem.
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Não houve resposta. Ninguém veio lhe dar paz de espírito para que ela pudesse encaminhar aquele monstro. Ninguém o veio buscar.
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Foi o segundo que ela não conseguiu encaminhar.
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Houveram outros, menos importantes, menos assustadores.
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Ou talvez ela já estivesse conformada com a situação, uma vez que mesmo seu guardião parecia ter lhe dado as costas.
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Deus lhe abandonara?
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Então ela realmente não era uma filha assim tão amada por Ele?
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Quem sabe… Quem sabe aquele gentil casal tivesse razão, e seu dom viesse das Trevas…
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Quem sabe, então, Deus nunca tivesse lhe amado como ela pensara…
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Como fazer para fechar os olhos e voltar a ser alvo do amor de Deus?
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Ela não queria mais ver!
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Sua casa e seu caminho estavam repletos daqueles que ela via e quem ninguém mais podia ver.
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Seu corpo já não tinha mais a energia necessária para manter aquela rotina e ainda sustentar aqueles que de sua ajuda precisavam.
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Ela não tinha mais forças para prosseguir.
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Ela sentia falta daquele amor divino de que estivera convicta por tanto tempo. Aquilo lhe dava as forças que precisava para prosseguir.
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Mas Deus tinha deixado de lhe amar, e ela não saberia como reconquistá-lo.
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No entanto, quem perde o amor de Deus sempre terá outros olhos em si.
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Sua avó era uma senhora de idade já avançada, que morava no interior, a alguns quilômetros da cidade em que minha jovem humana morava. Lembro do dia em que a moça lhe foi visitar.
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Lembro de todos os detalhes. Foi o dia do meu nascimento.
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A estrada era repleta de curvas, em mau estado de conservação, com enormes plantações por ambos os lados da via. Era uma rota deplorável.
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Sua mãe, apesar do estado da estrada, ia razoavelmente rápido. Se fosse possível, diria que já tinha decorado todos os buracos da via. Desviava de todos com facilidade.
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Minha jovem humana encarava a paisagem, entediada. Seus olhos se fixaram em um rapaz que se aproximava da via, correndo pelo meio da plantação de soja. As plantas balançavam com fulgor com sua passagem.
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-Mãe… – Os olhos da jovem estavam fixos no garoto que se aproximava correndo. A atenção da mãe, no entanto, era de uma motocicleta que vinha de encontro a elas, na mão própria.
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O encontro seria iminente. Minha jovem humana viu o rapaz invadir a pista correndo. Gritou, puxou o volante e viu o carro desviar do jovem rapaz na pista.
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Mas o jovem não estava lá.
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O carro derrapou e virou, capotou algumas vezes na estrada e caiu de frente na encosta do córrego à beira da estrada interiorana.
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Minha jovem humana demorou um pouco para acordar. Seu supercílio sangrava, e a dor em sua perna era lancinante. Era difícil respirar.
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Olhou para o lado. Sua mãe estava desacordada. Sua testa sangrava muito com um corte profundo. Sua cabeça estava inclinada num ângulo estranho.
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Não que no momento minha jovem humana soubesse disso, ou que realmente seja pertinente, mas sua mãe já estava morta. A causa mortis, no laudo de necropsia, constou como “fraturas múltiplas, traumatismo cranioencefálico, traumatismo raqui-medular”.
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Minha jovem humana forçou a porta danificada do carro, que se soltou, caindo. A moça se arrastou para fora do carro com esforço tremendo, e se deixou cair no chão, sobre as plantas amassadas e arrancadas pelo carro no acidente. Fechou os olhos.
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-Preciso falar com você antes de sua partida. – a voz que lhe falou era profunda, embora muito suave. Quase como uma voz tranquilizadora. Minha jovem humana abriu os olhos e mirou-o.
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O homem agachado ante ela sorria. Tinha cabelos muito escuros e a pele não tão clara. Seu sorriso era iluminador.
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Mas seus olhos eram vermelhos como uma chama.
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-Consegue me ouvir? Consegue prestar atenção? – Ela não tinha forças para acenar, mas piscou os olhos uma vez. Como era difícil respirar… – ELE te abandonou – O homem ergueu um indicador, apontando para o céu. – Mas eu estou aqui, e estou interessado em você. Eu posso fazer sua dor passar e posso terminar com todo o tormento que você vive. Posso te ajudar a saber o que fazer com todos aqueles que te seguem. Posso aplacar todo o seu sofrer. Basta que você me dê a mão…
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E, com isto, ele estendeu-lhe a mão, como se lhe quisesse ajudar a levantar.
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Ela sentia tanta, tanta dor… Como ele queria que ela se movesse o suficiente para lhe dar a mão.
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-Não faça isso. – Uma segunda voz surgiu, e esta ela já conhecia. Seus olhos encheram de lágrimas. – Não se entregue a ele. Nós podemos chamar a atenção Dele, podemos fazer com que ele volte a nos amar. Nós podemos fazer isso juntos! – Kyan. Depois de tanto tempo, depois de me abandonar com aqueles que queriam me consumir, no último momento de minha vida ele estava ali.
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No último momento da vida de minha forma humana.
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-Uma vez que você perde o amor Dele, é impossível reconquistá-lo. Eu sei por experiência própria. Ora, vamos, está quase na hora – Eu sentia a hora chegando. Ela sentia a hora chegando. Foi a única coisa que eu e minha forma humana sentimos juntas. O final. – Você tem de fazer sua escolha agora. Prefere passar a eternidade implorando por migalhas de compaixão que nunca vai receber – “Isso não é verdade!” Foi o veemente protesto de Kyan, que há tanto tempo havia abandonado minha jovem humana (e, consequentemente, a mim também) quando mais precisávamos dele. – ou prefere poder encaminhar aqueles que precisam de um guia?
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Ambas as coisas não eram o mesmo? Se eu conseguisse encaminhar aqueles que precisavam de minha ajuda, então eu não reaveria o amor de Deus?
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Minha mão ergueu-se lentamente, enquanto a mão de minha forma humana ficava apoiada, inerte, no chão, e eu entreguei-me àquele que me prometia auxílio mais efetivo.
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Ele me ajudou a levantar, com um sorriso vitorioso para Kyan, que parecia não conseguir acreditar em minha escolha.
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O que eu teria de fazer para ficar com Kyan? Simplesmente morrer?
Não me parecia que eu cumpriria a missão que Deus me deu se eu simplesmente morresse.
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O Homem estranho emoldurou meu rosto com ambas as mãos, sorrindo. Seus olhos ardiam em chamas.
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-Seja bem vinda, minha querida Dama do Jardim Demoníaco, Lothy – Lady of the Hellish Yard. Você terá a eternidade para guiar aquelas almas que de ti precisarem.
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Lothy. Era um nome com o qual eu poderia me acostumar, uma vez que esquecera o nome de minha forma humana.
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Fui levada – eu, Lothy – ao jardim que seria meu lar. Um jardim Demoníaco.
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Você provavelmente deve estar pensando que se trata de um antro de desespero e horror. Bem, se engana.
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Antes de qualquer coisa, sou uma Dama.
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De um Jardim Demoníaco, mas ainda uma Dama.
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Meu jardim é um lugar de paz no meio do Inferno.
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É, como todo o resto, uma tortura para aqueles que nele não podem entrar. Que suas flores não podem tocar. Que de sua paz não podem desfrutar. No entanto, e como o Diabo me prometera, é minha função encaminhar aqueles que de mim precisarem.
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E as almas que conseguem entrar em meu jardim obtiveram a redenção divina.
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Eu os receberei, então, tratarei das chagas de suas almas e então pedirei ao responsável que lhes venha buscar para enfim leva-los ao seu paraíso, sua Cidade Sagrada, seu Campo Elíseo.
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O responsável é meu amado Kyan. Aquele que nunca tinha me abandonado. Aquele que, por culpa das almas que entulharam o meu redor, tinha sido afastado, e que tentava de todas as formas tornar a me alcançar.
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A me tocar com o amor divino.
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Ele leva aqueles pobres atormentados para a paz.
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Ele leva as almas que conseguem entrar em meu jardim e que obter a redenção divina.
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Eu mesma, a Dama do Jardim Demoníaco, sou uma das almas alma no meu jardim.
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Descobri, prestando um serviço ao Diabo, que Deus nunca deixou de me amar

AAAH ÉEÉ

Agora to no computador certo. Vo postar a Dama do Jardim Demoníaco, pera.

Séculos que não posto nada.

A garota

Só não queria mais ver
Aquilo que Ninguém mais vê.
Só não queria sentir
Aquilo que ninguém mais sente.

Como o amor de Deus pode ser tão caro?

the golden trio